A judicialização de medicamentos para a pessoa idosa sob a perspectiva do código de processo civil: efetivação do direito à saúde e limitações estatais
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.20478178Palavras-chave:
Judicialização, Saúde, Pessoa idosa, Sistema Único de Saúde, Direito fundamentalResumo
A judicialização de medicamentos para a pessoa idosa no Brasil representa um fenômeno complexo que evidencia a tensão entre a efetivação do direito fundamental à saúde e as limitações orçamentárias do Estado. Fundamentado no artigo 196 da Constituição Federal e reforçado pelo Estatuto da Pessoa Idosa, o acesso à saúde é garantido como direito universal, com prioridade especial a indivíduos mais vulneráveis, como os idosos. Nesse cenário, o Poder Judiciário surge como instrumento essencial para assegurar o chamado mínimo existencial, especialmente diante de falhas na prestação estatal. Entretanto, essa atuação judicial não está isenta de controvérsias. Tais critérios visam assegurar decisões mais técnicas e alinhadas à medicina baseada em evidências, respeitando também o papel da Comissão Nacional de Inovação de Tecnologias na avaliação de tecnologias em saúde. Sob uma perspectiva analítica, observa-se que a judicialização não deve ser vista apenas como solução individual, mas como indicativo de falhas estruturais no sistema de saúde. Nesse sentido, evolui-se para uma judicialização estrutural, baseada no diálogo institucional entre Judiciário, Executivo e sociedade civil, buscando soluções mais amplas e sustentáveis. Conclui-se que a judicialização é indispensável para garantir direitos fundamentais, especialmente à pessoa idosa, mas deve ser exercida com cautela e critérios técnicos. O grande desafio reside em equilibrar a proteção individual com a sustentabilidade do sistema público de saúde, de modo que a efetivação do direito à saúde não comprometa a coletividade, mas sim contribua para o aprimoramento das políticas públicas.
Referências
BORGES, FABRICIO DE LIMA. Litígios Estruturais e Filas de Espera do SUS: Soluções Práticas para a Atividade Jurisdicional. Editora Thoth, 2025.
BRASIL. Constituição Federal de 1988. Disponível em: Constituição. Acesso em: 14 abr. 2026.
BRASIL. Lei n. 8080 de 1990. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8080.htm. Aceso em: 14 abr. 2026.
BRASIL. Lei nº 10.741 de 2003. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2003/L10.741.htm. Acesso em: 15.abr.2026.
BRASIL. Lei n. 13.466, de 2017. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13466.htm. Acesso em: 14 abr. 2026.
BRASIL. Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015. Disponível em: L13105. Acesso em: 14 abr. 2026.
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça STJ - RECURSO ESPECIAL 1657156 RJ 2017/0025629-7. Disponível em: Superior Tribunal de Justiça STJ - RECURSO ESPECIAL: REsp 1657156 RJ 2017/0025629-7 | Jurisprudência. Acesso em: 14 abr. 2026.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566471 RN. Disponível em: Supremo Tribunal Federal STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO: RE 566471 RN | Jurisprudência. Acesso em: 10 abr. 2026.
BRASIL. Lei n. 12.401, de 28 de abril de 2011. Disponível em: L12401. Acesso em: 10 abr. 2026.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO 1366243 SC. Disponível em: Supremo Tribunal Federal STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO: RE 1366243 SC | Jurisprudência. Acesso em: 14 abr. 2026.
CATANHEIDE, Izamara Damasceno; LISBOA, Erick Soares; SOUZA, Luis Eugenio Portela Fernandes de. Características da judicialização do acesso a medicamentos no Brasil: uma revisão sistemática. Physis: Revista de Saúde Coletiva, v. 26, p. 1335-1356, 2016.
CAETANO, Rosângela et al. Medicamentos de Alto Custo: definições presentes na produção científica e acadêmica brasileira sobre judicialização em saúde. Saúde em Debate, v. 49, p. e9329, 2025.
CASTRO, Claudia Garcia Serpa Osorio de. et al. Judicialização de medicamentos de alto custo no Brasil: uma revisão de escopo. Physis: Revista de Saúde Coletiva, v. 35, p. e350309, 2025.
COMPARATO, Fábio Konder. A afirmação histórica dos direitos humanos. São Paulo: Saraiva Educação, p. 15-82, 2019.
FERRAZ, Octávio Luiz Motta. Para equacionar a judicialização da saúde no Brasil. Revista Direito GV, v. 15, p. e1934, 2019.
FREITAS, Beatriz Cristina de; FONSECA, Emílio Prado da; QUELUZ, Dagmar de Paula. A Judicialização da saúde nos sistemas público e privado de saúde: uma revisão sistemática. Interface-Comunicação, Saúde, Educação, v. 24, p. e190345, 2020.
NASCIMENTO, Silas da Silva Freire. A judicialização da saúde como instrumento de garantia de acesso a medicamentos de alto custo: desafios e limites da administração pública. 2025. Dissertação. (Mestrado em Direito) - Programa de Pós-Graduação em Direito Curso de Mestrado, Universidade Federal de Sergipe, 2025.
PELEGRINI, Carla Liliane Waldow. Considerações a respeito do princípio da dignidade da pessoa humana. Revista Bonijuris, Ano XVI, n. 485, p. 5-16, 2004.
MATOS, José Bruno dos Santos; DE REZENDE, Helga Costa Mendonça. POLÍTICAS PÚBLICAS E JUSTIÇA SOCIAL: DESAFIOS PARA A PROMOÇÃO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO SUSTENTÁVEL. Revista Brasileira de Educação e Cultura - RBEC, 2024.
MARINHO, Naira Gabriella Teixeira Milhomem; DE ALMEIDA, Evenise Ribeiro. A EFETIVIDADE DOS DIREITOS SOCIAIS NO BRASIL E A GARANTIAS
FUNDAMENTAIS DO DIREITO À SAÚDE NA CONSTITUIÇÃO DE 1988. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 10, n. 6, p. 3503-3521, 2024.
OLIVEIRA, Fernando Teixeira Baptista de. Acesso a remédios pela via judicial no TJ/SP e igualdade: perfil da judicialização da saúde a partir do medicamento ranibizumabe e seus impactos nas políticas públicas de saúde. 2020. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento no Estado Democrático de Direito) - Faculdade de Direito de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2020.
REIS, Thiago Santos; DE LIBERAL, Marcia Mello Costa. O DIREITO À SAÚDE: PRINCÍPIO DA RESERVA DO POSSÍVEL E MÍNIMO EXISTENCIAL NA LEGISLAÇÃO BRASILEIRA. REVISTA CIENTÍFICA ACERTTE-ISSN 2763-8928, v. 4, n. 6, p. e46190-e46190, 2024.
ROCHA, Cármen Lúcia Antunes. O princípio da dignidade da pessoa humana e a exclusão social. Revista Jurisprudência Catarinense, v. 35, n. 117, p. 71-107, 2009.
SEGALLA, Juliana Izar Soares da Fonseca; MARTA, Taís Nader. Educação Inclusiva, (Pre)Conceitos e Dignidade da Pessoa Humana. Revista de Ciências Jurídicas e Empresariais, v. 11, n. 2, p. 25-34, 2015.
VICENTE, Geison. Incorporação de medicamentos de alto preço no SUS: o papel e o manejo das incertezas e dos valores pela Conitec. Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Saúde, Programa de Pós-Graduação em Farmácia, Florianópolis, 2022.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Categorias
Licença
Copyright (c) 2026 Ana Gabriela Simon, Michel Canuto de Sena, Paulo Roberto Haidamus de Oliveira Bastos

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.


