Autonomia privada e intervenção estatal na empresa: a mediação como instrumento de equilíbrio e preservação da liberdade negocial

Autores

  • Laura Camilo da Silva Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.20041387

Palavras-chave:

Autonomia Privada, Intervenção Estatal, Mediação Empresarial, Análise Econômica do Direito, Custos de Transação, Função Social da Empresa

Resumo

O presente artigo analisa a tensão entre a autonomia privada e a intervenção estatal no direito empresarial, com foco na crise da empresa. Adotando como referencial teórico o projeto de pesquisa que o origina, aprofunda-se a análise por meio do instrumental da Análise Econômica do Direito, notadamente a partir das obras de Ronald Coase, Richard Posner, Robert Cooter e Thomas Ulen, da filosofia política de Robert Nozick e da doutrina especializada de Nilson Reis Júnior. Argumenta-se que a recuperação judicial, como modelo de intervenção, ao se pautar por objetivos de função social, pode incorrer tanto em ineficiência econômica quanto em questionamentos sobre sua legitimidade à luz de uma teoria estrita de direitos de propriedade. Em contrapartida, a mediação empresarial é apresentada como um mecanismo institucional superior, que, ao reduzir os custos de transação, permite que as partes alcancem soluções voluntárias, eficientes e que preservam a autonomia negocial de forma mais robusta que o processo judicial impositivo.

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Publicado

08-05-2026

Como Citar

CAMILO DA SILVA, L. Autonomia privada e intervenção estatal na empresa: a mediação como instrumento de equilíbrio e preservação da liberdade negocial. Revista de Direito Magis, Betim, v. 4, n. 1, 2026. DOI: 10.5281/zenodo.20041387. Disponível em: https://periodico.agej.com.br/index.php/revistamagis/article/view/69. Acesso em: 11 maio. 2026.